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Festa do Arripiado |
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| No mês de Agosto temos festa nas duas terras irmãs (Arripiado e Tancos) | ||||||
:: A Fé e a Festa Sempre o sítio foi de passagem, desde a mais remota era, porque aqui o rio é estreito, se comparado com, o que se espraia a jusante, e é fundo todo o ano, nem que seque noutros lados. Sempre os homens aqui passaram, para a conquista, para o comércio, para o trabalho, para o Passeio. Sempre aqui existiram barcas para ajudar a passagem e ainda resta uma, herdeira de tantas travessias, ir a Tancos e voltar, um vaivém que nunca acaba. Ponte é que nunca houve, vá lá saber-se porquê, sendo o sítio de passagem. A não ser pontes de barcas, essas sim já se fizeram e não foi há muito tempo. Há-de haver quarenta anos ainda se viu uma ponte dessas, erguida por algum tempo, por onde passavam homens e também Nossa Senhora. Era trabalho de soldados, ponteneiros de especialidade, que aqui tinham instrução e consistia ela em pôr a ponte no Tejo, do Arripiado a Tancos. Durante um mês ou dois, sempre em tempo de Verão, escusavam de andar as barcas, era pela ponte a passagem. E nessa altura aproveitava-se o ensejo para levar ao Arripiado a Senhora da Piedade, quando Tancos estava em festa. Do outro lado do rio, onde agora está o cais, num largo que é de S. Marcos, como diz a toponímia, havia uma capela onde o santo tinha altar e à qual dava o seu nome. Era sítio por onde o Tejo entrava, sempre que havia cheia, e acabou por ser a capela demolida e substituida pela igreja que agora se ergue lá mais no alto da aldeia.
Nos tempos da procissão, ia a Senhora da Piedade à capela de S. Marcos, dava a volta à povoação e voltava a Tancos pela ponte. Era um momento especial da vida das duas terras, quando a Senhora selava esta amiga vizinhança. Acabaram os ponteneiros e as pontes que eles faziam. Deixou, por isso, de se fazer a procissão. Correram os anos, mas ainda há quem se recorde, nas gerações mais antigas, de ver com os próprios olhos o que mostram as fotografias. No ano seguinte retribuindo a visita, S. Marcos passou a visitar Tancos. Assim todos os anos em Agosto Nossa Senhora da Piedade e S. Marcos se visitam mutuamente, não sendo o Tejo barreira, para a amizade entre vizinhos e para a alegria de ter um amigo na frente do nosso olhar. |
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